Obesidade Infantil
19/08
Embora alguns casos estejam associados a distúrbios como o hipertireoidismo, a principal causa da obesidade infantil são os hábitos alimentares herdados da família ou adquiridos no dia-a-dia. Muitas vezes, o ganho exagerado de peso começa nos primeiros meses de vida, quando o leite materno começa a ser substituído por outros alimentos. Dietas equivocadas e gestos aparentemente banais – como oferecer à criança uma chupeta embebida no mel – podem favorecer o surgimento de crianças obesas.
Em alguns países desenvolvidos como os Estados Unidos, o número de crianças obesas triplicou na última década. Mas o número de casos também vem crescendo em países emergentes como o Brasil, onde este problema já atinge pelo menos 15% da população infantil, conforme estimativa da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso).
Segundo a nutricionista Márcia Magalhães, do Centro de Cirurgia da Obesidade, o primeiro passo para se evitar a obesidade infantil é manter o aleitamento pelo período mínimo de seis meses; "Além de ajudar no desenvolvimento da imunidade a doenças, o leite materno é uma fonte de proteínas e gorduras de fácil digestão, na proporção exata. Não dá para compará-lo com o leite de vaca", detalha. A adição de alimentos ricos em farinha ao leite de vaca, prática comum entre algumas famílias, só faz aumentar o risco, observa a especialista. Costumes aparentemente banais como molhar a chupeta no mel também podem ser decisivos para formação de crianças com excesso de peso.
Na busca de soluções fáceis e acessíveis para um cotidiano cada vez mais corrido, muitos pais acabam abarrotando geladeiras e dispensas com produtos de baixo valor nutritivo como embutidos (salsichas, lingüiças, mortadelas e salames), biscoitos recheados e refrigerantes. Mas o que parece ser mais barato pode não corresponder à realidade;
"Uma lata de um litro de frutas da época adquirida por R$ 1 nas feiras livres é suficiente para fazer até três litros de suco. É uma questão de hábito", frisa a nutricionista.
Outro vilão da obesidade infantil é o consumo exagerado de pão. O melhor a fazer, segundo Márcia, é evitar o consumo diário excessivo de massas à base de farinha de trigo refinada, que podem ser alternadas com raízes (batata doce e aipim) ricas em carboidratos complexos. "Estes alimentos ajudam a saciar a fome, pois apresentam maior quantidade de fibras e são digeridas mais lentamente", explica. O cuscuz, acrescenta Márcia, também é uma boa alternativa, não custa caro e é fonte de vitaminas A e B.
“Os hábitos alimentares são herdados dos pais. Você não pode pedir para a criança comer uma salada se você mesmo não come", destaca. Ela lembra que o consumo de açúcar, por exemplo, é despertado por alimentos oferecidos por adultos. A utilização do sal nas primeiras sopinhas também deve ser objeto de cuidado redobrado. Com o passar do tempo, é preciso ficar atento também ao consumo de salgadinhos, batatas fritas, carnes de hambúrguer.
Outro ponto importante é a regularidade de horários: "Muitas crianças vão para a escola sem tomar café da manhã. A primeira refeição acaba sendo um refrigerante e um salgadinho. A ingestão de alimentos ricos em sal e açúcar acaba fazendo com que a refeição preparada em casa seja preterida", diz. Estabelecer prêmios na forma de alimentos também é outra prática corriqueira que deve ser evitada. "Alimento não é punição nem premiação", alerta a nutricionista.
Hábitos que devem ser evitados
- Não impor limites. É preciso estabelecer um dia na semana para o consumo de guloseimas.
- Refeições fora do horário.
- Oferecer alimentos como prêmio. Privar a criança de comida também não deve ser utilizado como castigo.
- Comer assistindo TV. O momento da refeição deve ser de tranqüilidade.
- Substituir refeições por lanches ou mamadeiras.
- Não dar bom exemplo. De nada adianta pedir para que a criança beba suco enquanto você toma refrigerante.
Para comer de tudo
Mas como vencer a sedução da publicidade presente fortemente nos canais de televisão e em uma legião de produtos voltados para o público infantil? A nutricionista dá uma dica: Comece oferecendo legumes associados a outros alimentos que costumam despertar o interesse imediato da criança. "Em vez de oferecer o brócolis puro, por exemplo, coloque-o na forma de lasanha, que também leva queijo e massa", exemplifica Márcia Magalhães.
Seu filho é obeso?
Para dizer se uma criança é ou não obesa, é preciso medir o seu índice de massa corpórea (IMC). Mas, em alguns casos, não é preciso fazer contas para identificar a ocorrência do problema. "Quando seu filho tem seis anos, mas veste roupa para garotos de 14, alguma coisa está errada e está na hora de procurar um especialista", assinala.